Ontem, no 1º encontro literário promovido pela Lua de Marfim, fiz uma apresentação sobre os e-books. Entre outros aspectos referi a importância dos formatos abertos na promoção empresarial e de como, cada vez mais, o suporte em papel vai sendo substituído pelo digital.
Hoje no meu supermercado, pela compra de duas garrafas de vinho Monte Velho, tive direito a um Almanaque da Amizade e do Vinho. Um livro de promoção empresarial. A oferta tangível materializou-se no suporte clássico de papel.
Li um pouco do almanaque e descobri que para se transmitir confiança, franqueza, simpatia e poder de decisão se deve estender ao outro uma mão francamente aberta com a palma voltada para cima. Não custa nada ter isso em mente da próxima vez que apertar a mão a alguém. Afinal vivemos num mundo célere e de afectos facilmente descartáveis.
No mesmo almanaque descobri serem necessárias 2800 pisas empilhadas para se atingir a altura da torre de Piza. O promotor desta campanha quis brindar o cliente com um objecto de inquestionável utilidade; podia ter optado por uma almofada térmica ou um saca-rolhas, mas isso fazem as marcas de cerveja. Para distanciar a nobreza do vinho das ofertas mais generalistas, optou por um livro.
Eu próprio, por vezes, me sirvo em forma de livro. Um dia serei um almanaque de coisas banais. Das que fazem parte das conversas dos homens e nos levam, dia após dia, até ao embate final com a eternidade, na qual o sábio e o indigente mergulham da mesma forma.
Hoje no meu supermercado, pela compra de duas garrafas de vinho Monte Velho, tive direito a um Almanaque da Amizade e do Vinho. Um livro de promoção empresarial. A oferta tangível materializou-se no suporte clássico de papel.
Li um pouco do almanaque e descobri que para se transmitir confiança, franqueza, simpatia e poder de decisão se deve estender ao outro uma mão francamente aberta com a palma voltada para cima. Não custa nada ter isso em mente da próxima vez que apertar a mão a alguém. Afinal vivemos num mundo célere e de afectos facilmente descartáveis.
No mesmo almanaque descobri serem necessárias 2800 pisas empilhadas para se atingir a altura da torre de Piza. O promotor desta campanha quis brindar o cliente com um objecto de inquestionável utilidade; podia ter optado por uma almofada térmica ou um saca-rolhas, mas isso fazem as marcas de cerveja. Para distanciar a nobreza do vinho das ofertas mais generalistas, optou por um livro.
Eu próprio, por vezes, me sirvo em forma de livro. Um dia serei um almanaque de coisas banais. Das que fazem parte das conversas dos homens e nos levam, dia após dia, até ao embate final com a eternidade, na qual o sábio e o indigente mergulham da mesma forma.

17 comentários:
António, nem a propósito...
raramente me cito, mas permita-me, do meu último texto:
"alguns ...temem porque temem, em beber da mão humana a humidade primeira."
falava de afectos, da sua importância, e do quanto neste mundo estes se vivem de forma descartável.
Um abraço e a minha gratidão por me ter servido um livro que li e sublinhei: "A desilusão de Judas". Francamente bom!
Mel
Mel, pois devias-te citar mais vezes. A tua palavra sacia-nos.
Obrigado pelas palavras que aqui deixaste em relação ao meu livro. Bjnhos
ando a cultivar essa arte, de nos servirmos; porque comunicar com os outros não são as coisas que se dizem mas o dizer das coisas. Devia ter começado há muitos anos...
Alf, o segredo está aí nesse dizer das coisas. Um abraço.
Muito interessante esta reflexão, como deve ter sido interessante a exposição do António sobre os e-books. :) Gostava de lá ter estado.
Beijinhos e boa semana :)
Virginia, o momento alto foi mesmo o debate que se seguiu e que inflamou alguns dos presentes... Bjnhos
prefiro em papel.
Daniel, só isso?
Eu vou querer ter sempre livros físicos por perto de mim porque sobrevivem melhor à mudança tecnológica.
Comprei K7s, LPs, VHSs e estão perdidos. Comprei livros e ainda os conservo.
Em último recurso acho que se pode começar a criar para os livros impressos a noção de 'objectos de culto' à semelhança do que aconteceu com o vinil.
E apostar na embalagem.
"Vinil " copiado de
http://pt.wikipedia.org/wiki/Disco_de_vinil
"Por estes motivos até hoje se fabrica LP e toca-discos em escalas consideráveis, bem como intensa procura e troca de usados, que são objetos de relíquia e estima para audiófilos e entusiastas de música em geral."
Serei um dia um desses clássicos, objecto de culto... digo eu.
Eu acho que vai ser possível a convivência dos ebooks e do formato em papel, exercerao funcoes diferentes.
Monte Velho... também gosto ;)
e.ternamente livro, António
os meus putativos livros, já são todos e.mail, e.blog
e.etc
na eternidade a diferença será outra e isso não terá a mínima importância
dou graças! o Continente on.line oferece-me coca-cola, imagino um livro escolhido pelo Belmiro...
um abraço
manuela
Manuela, seremos aquilo em que permitirmos que nos formatem...
Bjnhos
viva sempre o papel. nada de e-books
Viva Teresa e a ecologia e a floresta da Amazónia?
Gosto do cheiro do papel...
E gostei de vir aqui.
Bj
Seja bem vinda!
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