Sexta-feira, 28 de Outubro de 2011

Apresentação de José Luís Outono



Eis um breve extracto da apresentação de José Luís Outono na Biblioteca Municipal do Barreiro no dia 28 de Setembro.

O António Ganhão é um provocador nato. E acima de tudo é meticuloso nessa provocação. Ao exercer esse acto, age como jogador de xadrez profissional, porque adivinha e brinca com as jogadas seguintes. É essa forma de escrita, que atrai. E, muitas vezes, quando até julgamos que o autor está a ir para lá do permitido, o autor brinda-nos com citações bíblicas…provocadoras também do nosso entendimento.

É neste ponto crucial, que a dureza cénica de algumas mortes, se assume com beleza, porque é uma moral que se ganha ao determinar a sua extinção. E o preciosismo detalhado da sua execução, na escrita da DESILUSÃO DE JUDAS é fabuloso.

E é assim, que na contracapa, apesar de revelar um pouco desta acção narradora…provoca o leitor em mais uma soberba reflexão:

- “se todos os tontos escrevessem um diário o mundo seria um local mais tranquilo…”

É este exercício, que António Ganhão narra com factos tão reais, como a história natural do colega reformado com um problema de crédito…o gerente bancário que procura interferir no processo…as escapadelas do Calçadas e, a mulher que desliza em propostas de fim de tarde…

Enfim, o pecado existente e, a tentativa de o anular. Como? Com um labirinto muito bem gizado e uma narrativa tensa, por vezes dura…mas atraente.

Meticuloso e programador de jogadas literárias, António Ganhão gosta de partir do desencontro para o encontro. Gosta de purificar. Depurar em atitudes o grosso do impossível. Inverter a pirâmide em sucessivos degraus de anulações até chegar ao absoluto e estritamente necessário. António Ganhão em “A DESILUSÃO DE JUDAS”, mostra exactamente esse pendor da sua veia criativa. Não é um matador por raiva…é um purificador, por reflexão, que até tem alguns laivos de requinte na execução. Mas deixo ao cuidado do leitor a sua descoberta, seguro que no final, a hipotética desilusão, não desilude.

6 comentários:

alf disse...

Este livro cria uma personagem original. As personagens da ficção são estereotipos, de vez em quando lá surge uma nova mas é raro. Estou a lembrar-me do Lecter, que deu para vários filmes.

Este livro cria uma personagem nova, um novo carisma, muito mais interesssante e conplexa que um Lecter, e que pode até ter continuidade noutras histórias.

Hummm.... se ele se dedicasse a purificar este país da pequena corrupção que alastra por todo o lado... o médico que passa análises sem sequer ver as anteriores... o político que aceita excepções às regras de austeridade.. etc

Este livro é uma purificação do passado próximo; talvez dar continuidade ao seu herói para os dias de hoje...

antonio ganhão disse...

Não me tente, Alf, não me tente...

Virgínia do Carmo disse...

José Luís Outono definiu muito bem a escrita do António. Destaco: provocadora e atraente.

Beijinho!

antonio ganhão disse...

Virgínia, o JLO apanhou o sentido da minha escrita, fácil quando se é um poeta...

OUTONO disse...

...tentei!
Obrigado escritor, pela cortesia!

antonio ganhão disse...

Obrigado José Luís, pelas tuas palavras (onde, como sempre, és mestre).